Tinha crescido. E me impressionou tê-lo reconhecido, apesar das drásticas mudanças físicas. Algo de essência conservou-se nele, não sei se o andar, ou as narinas levemente alargadas, não sei, não faço a mínima idéia de como o reconheci.
Devo ter sido a primeira paixão dele, tiro esta conclusão, pois sabia que era apaixonado por mim, e éramos muito novos para antes de mim ter surgido outra. Ao reler me senti pré-potente. Enfim, nos conhecemos antes da quinta-série, não era a quarta, algo antes disso, mas não consigo recordar com exatidão. Éramos esquisitos, tanto eu quanto ele rechonchudos, os dois branquelos. Opúnhamos-nos quanto à diversão, a dele era passar o dedo indicador pelas paredes da escola como se descrevesse uma linha, a minha era ficar assustada com as histórias sobre o apocalipse contadas por uma amiga minha, quase tão estranha quanto nós.
Impressionante como o tempo passa, mais impressionante ainda é a cara dele de “mesma fisionomia” ao falar comigo, não mudou em nada, ainda que tivesse mudado tudo.
Hoje o vi, estava almoçando sozinha quando o avistei a duas mesas da minha, estava sozinho também. Por um instante esqueci meus problemas para observá-lo, as mãos postas a rezar, os olhos serenos fechados e a mente a agradecer a refeição. De repente os olhos abrem e ele começa a comer como se fosse a última vez, mas não perceber que eu o observava, de longe, mas o obseravava.


3 comentários:
O tempo que passa e quase nada fica... Quase. O bom é que algo sempre fica ;)
Tudo passa, e se passa, passa. Passa pra la, pra cá, de volta. Passa! Uma hora vai passar, você vai ver.
Arrocha tchê!
é como um dia que virá
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